Cuidados que toda mãe deve tomar durante a quarentena pós-parto

quarentena pós parto

Depois da gravidez, a nova mamãe precisa de um tempo especial para que seu corpo se reabilite. Afinal, os nove meses de transformações intensas no corpo fizeram muita diferença, e é essencial se cuidar para que o organismo volte a ser como era antes da gestação. O período de quarenta dias pós-parto, ou quarentena, também é conhecido como puerpério e resguardo.

A intensidade das mudanças que o corpo sofre durante a gestação é tão grande que o útero, por exemplo, chega a aumentar seu tamanho em até dez vezes! De uma média de 90 gramas, o órgão pode chegar a pesar 1000 gramas, ou um kilo.

Cada mamãe terá uma experiência diferente com relação ao ganho de peso e mudanças em seu corpo. Por isso, a quarentena terá regrinhas diferentes para cada uma. O que vale nessa hora é respeitar todas as orientações do profissional de saúde que estiver acompanhando o seu desenvolvimento.

O que muda?

quarentena pós parto

As mudanças são inúmeras, assim como quando o seu corpo passou a se preparar para receber o bebê. Dessa vez, ele se prepara para voltar ao estado pré-gestacional, fazendo uma espécie de caminho inverso. Pode-se dizer que quase tudo muda! O peso, a produção de hormônios, menstruação, produção de leite… O mais indicado é se informar com antecedência sobre todos os cuidados que você deverá tomar na quarentena.

Hormônios

A redução da produção de hormônios é perceptível na fase do puerpério. Assim como no período da gravidez, a mulher ficará mais sensível, e por isso é importante que esteja cercada de familiares e amigos que possam auxiliar nas tarefas do dia e estejam bem dispostos. Um ambiente alegre em casa pode ajudar a prevenir o desânimo e tristeza que podem acompanhar a queda hormonal. O mais importante é ter tempo para descansar e conseguir apoio para cuidar do novo bebê durante sua recuperação.

Útero

O útero é um dos órgãos que mais irá mudar durante a quarentena, afinal, ele foi o responsável por carregar seu bebê. Depois da remoção da placenta, é comum sentir contrações. Elas ocorrem para que ele volte ao tamanho inicial, um processo que dura cerca de 10 dias. Nesse estágio, procure se hidratar com frequência para agilizar a contração.

É possível que você sinta um desconforto semelhante às cólicas menstruais durante a fase de contração do útero, especialmente enquanto amamenta. Isso acontece porque a sucção do bebê estimula a produção de ocitocina no corpo da mãe, um hormônio que desencadeia as contrações.

Outra mudança que ocorre é o sangramento, que é semelhante à menstruação, e serve para eliminar os resíduos de revestimento do útero.

Amamentação

quarentena pós parto

O tamanho dos seios tende a aumentar conforme a produção de leite inicia. Nos primeiros dias da quarentena pós-parto, o colostro é produzido, o primeiro alimento do seu bebê. A partir do terceiro dia, o leite é produzido pelas mamas e continua aumentando conforme seu bebê se alimenta.

Além disso, amamentar é uma forma eficaz de perder o peso ganho durante a gravidez. Por isso, essa atividade é estimulada por profissionais para acelerar o processo de recuperação da mamãe durante a quarentena pós-parto.

Lembre-se de garantir sua hidratação sempre e usar sutiãs de amamentação que sejam confortáveis e práticos.

Sexo

Durante a quarentena, é mais indicado que o corpo da mulher seja poupado de relações sexuais por estar em transformação. Uma das preocupações nesse período de resguardo é que a mulher volte a engravidar novamente. Médicos afirmam que as chances de se engravidar no período pós-parto são pequenas, mas a possibilidade não é completamente descartada. Conforme os 40 dias passam, as chances de engravidar aumentam gradativamente.

É importante consultar seu médico para que ele indique o melhor método contraceptivo para o seu caso e que não cause interferências no leite materno.

10 problemas na amamentação e como resolvê-los

Não há dúvidas dos benefícios do aleitamento materno para o desenvolvimento do bebê. Mas, ainda sim, há diversas famílias que têm que lidar com problemas na amamentação e com o desmame precoce.

É preciso entender que a amamentação nem sempre é um processo fácil e instintivo e que exige uma busca constante por informação. É possível evitar erros que atrapalham a amamentação de forma simples e ainda nas primeiras semanas de vida do bebê.

Problemas na amamentação podem causar desmame precoce

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a amamentação de forma exclusiva até os seis meses de vida do bebê e complementar até os dois anos ou mais. O desmame antes desse prazo é considerado precoce. Selecionamos dez dos principais problemas na amamentação, com dicas do que fazer para resolvê-los.

1 – Não buscar informação durante a gravidez

A gestante deve se preparar para a amamentação ainda na gravidez. É preciso buscar orientação e ler sobre questões como pega correta, produção de leite e o que pode causar desmame precoce. Essas informações são encontradas em sites especializados, bancos de leite e até com uma consultora especializada. E, claro, aqui no Blog Mamãe de primeira viagem.

2 – Agendar uma cesárea

Muitas gestantes não sabem, mas aguardar o início do trabalho de parto de forma natural ajuda na amamentação. A ação dos hormônios que agem para o parto normal estimulam a descida do leite. E esse é apenas um dos benefícios do nascimento natural. A cesárea deve ser uma alternativa de emergência.

problemas na amamentação

Problemas na amamentação: o recém-nascido deve mamar o colostro nas primeiras horas de vida.

3 – Oferecer fórmula

O único alimento que o recém-nascido precisa logo quando nasce é o colostro. Esse é o nome que se dá ao primeiro leite materno (de aspecto amarelado e produzido nos primeiros dias pós-parto), que é extremamente rico e considerado a primeira vacina do bebê.

Ele não é abundante, mas vem na quantidade ideal para o tamanho do estômago do bebê, que ainda é muito pequeno. Oferecer fórmulas, especialmente em mamadeira, prejudica o aleitamento pois a produção de leite materno está diretamente ligada à sucção do bebê.

4 – Dar chupeta e mamadeira

Os bicos artificiais – chupeta e mamadeira – são uma das principais causas de desmame precoce, especialmente quando oferecidos no início de vida do bebê. O hábito causa confusão de bicos, prejudicando o aprendizado da pega correta. A necessidade de sucção deve ser suprida apenas pela amamentação.

5 – Estabelecer horários para as mamadas

Já falamos aqui sobre a importância da amamentação em livre demanda. Então, o bebê não deve ter horários certos para mamar. Ele deve ficar no seio da mãe pelo tempo que quiser, mamando em livre demanda. O hábito estimula a produção de leite e fortalece o vínculo entre mãe e bebê.

problemas na amamentação

Problemas na amamentação: estabelecer horários para o bebê mamar prejudica a produção de leite. O bebê deve mamar em livre demanda.

6 – Oferecer água ou chá para o bebê

Nos primeiros seis meses de vida, o bebê não precisa de nenhum outro líquido ou alimento além do leite materno. A amamentação oferece todos os nutrientes e mantém o bebê hidratado. Ao oferecer água ou chás, a família acaba “substituindo” um espaço no estômago da criança que poderia ser do leite, fazendo com o que o pequeno mame menos. E, com menos demanda, a produção de leite da mãe também sofre.

7 – Alternar os seios toda hora

Para manter a produção de leite de acordo com a demanda do bebê, a mãe deve deixar o pequeno mamar o seio até esvaziá-lo. Não é preciso se preocupar em oferecer os dois seios. Isso é importante para garantir que o bebê mame o leite posterior (que tem gordura e contribui para um ganho de peso adequado) e não somente o anterior (rico em água). Falamos sobre as fases do leite e seu papel no desenvolvimento do bebê aqui no blog.

8 – Não amamentar durante à noite, substituindo o seio pela mamadeira

Algumas famílias optam por oferecer mamadeira durante a madrugada, acreditando que o bebê vai “dormir melhor” com a fórmula. Ou a decisão é motivada para que a mãe possa dormir. Não há nada de errado em querer descansar, mas é preciso entender que durante à noite é que ocorre o pico de produção da prolactina, hormônio responsável pelo aumento da produção de leite.

Quando a mãe deixa de amamentar nesse período, a produção de leite tende a baixar. Outro problema no hábito é que a mamadeira (como já falamos acima) pode causar confusão de bicos. E se a questão for achar que a fórmula “alimenta” mais o bebê, lembramos que isso é um mito. Bebês amamentados no seio tendem a ter fome mais rápido do que os alimentados por fórmulas por causa da rápida digestão do leite materno.

problemas na amamentação

Problemas na amamentação: durante à noite há um pico na produção de prolactina, hormônio que ajuda no aleitamento.

9 – Mãe que descuida da alimentação e da hidratação

Para conseguir dar conta da produção de leite, a mãe deve se alimentar de forma equilibrada, priorizando carboidratos integrais, proteínas magras, verduras legumes e frutas. Também é importante beber cerca de três litros de água por dia, o que ajuda diretamente na produção de leite.

10 – Sentir dor na amamentação e achar normal

Finalizamos nossa lista de problemas na amamentação com uma das principais queixas: sentir dor na amamentação. Não é normal! Isso é sinal de pega errada, que deve ser corrigida para que o bebê consiga mamar sem machucar os seios da mãe. A família pode buscar orientação em bancos de leite e consultorias de amamentação. E também temos uma matéria aqui, com dicas para ajustar a pega.

problemas na amamentação

Problemas na amamentação: para reconhecer a pega correta, a mãe deve observar se o bebê abocanha toda a aréola e não somente o bico.